Espiar ou não espiar? Eis a questão.

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Que tal dar uma espiadinha? Essa é a frase que movimenta quase 80 milhões de pessoas a sentirem o desejo de passar algumas horas de sua vida observando a vida de outros e desejando sentimentos bons ou ruins sobre um ser humano que nem mesmo conhecem.

Diante do grande índice de audiência que é atingido diariamente pelo reality show, disponível das mais variadas formas, na mídia, é questão a se pensar, o que faz com que vários seres humanos disponibilizem um tempo precioso de suas vidas para se dedicarem a isso? Fama, sucesso, dinheiro, ambição, esses provavelmente são alguns dos inúmeros sentidos para que esses tipos de programação consigam prender milhões de telespectadores em frente aos programas de televisão.

Conhecemos e reconhecemos a influência que a mídia exerce na vida das pessoas, principalmente das crianças que são indivíduos ainda em formação, que assimilam o que lhes é apresentado e tomam para si como exemplos quaisquer atos, sem criticidade alguma.

A mídia que se diz defensora dos ideais populares, das causas justas e humanitárias, favorável à liberdade de expressão é a mesma mídia que apresenta programas que não acrescentam em nada no desenvolvimento pessoal e humanístico de quem assiste, que omite informações propiciadoras de um olhar crítico sobre a realidade mundial, ou não dá margem ao indivíduo para analisar, discutir e opinar sobre o que lhe é apresentado; é o conhecimento pronto e ponto.

A mesma mídia que tem o poder de engrandecer a consciência de nossas crianças, unindo criatividade e educação, prioriza programas que são totalmente desnecessários e que visam somente uma cultura do entretenimento fútil e banal.

Você deve estar se perguntando o porquê de uma introdução tão voltada para esses programas que nada acrescentam na vida ociosa de um ser humano. Meu interesse na verdade é tratar de um reality show constante que enfrentamos na nossa sociedade chamada, município.

Breve estaremos num momento importantíssimo da vida social de uma cidade. O momento de decidir o que é melhor, ou quem é melhor, ou ainda quem é menos pior, para nós e para todos que nos rodeiam. A decisão eleitoral está cada vez mais próxima. Os espetáculos já se iniciaram. A platéia está calma, tranquila, só aguardando os coadjuvantes dessa história, entrarem em cena e assumirem cada um o seu personagem; todos buscando sempre um lugar ao sol e a chance de ser protagonista de mais uma temporada. Digo coadjuvante, porque o ator principal deste espetáculo é a platéia, que deve estar atenta a cada movimento, a cada passo dado, a cada sorriso estampado e o principal: espiar sempre.

Já que temos disposição de parar horas do nosso tempo para observar a vida de pessoas que nem conhecemos, e que estão na mídia com o único propósito de ganhar dinheiro, pensando sempre em si mesmos, que tal tirarmos o mesmo tempo para refletirmos sobre o que está nos rodeando, o que vem por aí e qual a nossa parcela de responsabilidade nisso tudo. Gasta-se horrores de dinheiro com Internet, telefonemas e SMS votando nesse tipo de atração e fica-se aborrecido de sair de casa num único dia para votar num espetáculo que decidirá a evolução político-social de um município e principalmente: a sua evolução.

O histórico político nacional não é o dos mais cômicos. Até teria uma pitada de comicidade, se não fosse tão dramático e irônico. Já tivemos dinheiro dentro de cuecas, cartões corporativos, a crise econômica, empréstimos astronômicos de quantias com a desculpa esfarrapada de que o objetivo é a realização de obras benéficas para o povo, grandes obras há tanto tempo esquecidas e que nesse momento eleitoral aparecem como feitos grandiosos, enchendo de esperanças os olhos de quem não tem discernimento sobre as coisas e que na maioria das vezes são pessoas iletradas.

Essa platéia que se satisfaz com pouco, muito pouco, é alvo do melodrama desses atores coadjuvantes que prometem melhorias de vida, para os pobres desfavorecidos, aproveitando da desinformação para fortalecer o vínculo através do ato corrompido e malicioso de escamotear a realidade para esse ser humano.

Estar nesse processo de desenvolvimento é algo que independe do sentimento de vontade; desejando ou não, estamos inseridos no relacionamento interpessoal constante existente na vida política de uma sociedade. Não é opcional. Omitir-se é assumir um desleixo e uma irresponsabilidade, consigo mesmo, tendo em vista que nós somos os personagens principais desta relação.

É fácil dizer depois das eleições que não se tem culpa do que acontece, pois não votaste no candidato escolhido, é fácil culpar alguém por sua falta de ação política; no entanto, se torna difícil colher os resultados negativos de uma atitude mal tomada, ou de uma total falta de atitude.

Enfim, continue espiando com muita, mas muita atenção mesmo, pois caso contrário quem vai para o “paredão” na próxima temporada, é você! Não se elimine da chance de participar e vamos aguardar cenas do próximo capítulo!

alexsoares

2 comentários em “Espiar ou não espiar? Eis a questão.

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